Brasil adere a compromisso internacional para reduzir lixo espacial e proteger satélites em órbita
Iniciativa liderada pela Agência Espacial Europeia estabelece objetivos até 2030 para diminuir a geração de detritos no espaço. Duas empresas brasileiras também aderiram ao acordo.
Redação Diplomacia Business
08/11/2026 · 05h09

A centenas de quilômetros da Terra, satélites dividem espaço com fragmentos de foguetes, equipamentos desativados e pedaços de objetos que se desprenderam ou foram destruídos em colisões. Conhecidos como lixo espacial, esses materiais podem viajar a velocidades de milhares de quilômetros por hora e representar riscos até mesmo para satélites em funcionamento. É para enfrentar esse problema que o Brasil aderiu à Carta Zero Debris, compromisso internacional voltado à redução de detritos espaciais e à preservação do ambiente em órbita.
A adesão foi formalizada nessa quarta-feira (4), durante a 8ª Cúpula sobre Sustentabilidade Espacial, pela Agência Espacial Brasileira (AEB), autarquia vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Liderada pela Agência Espacial Europeia (ESA), a iniciativa reúne governos, empresas, universidades e organizações do setor em torno de objetivos para tornar as atividades espaciais mais sustentáveis até 2030.
Embora estejam longe dos nossos olhos, os satélites fazem parte de atividades cotidianas. São utilizados para acompanhar o clima, monitorar desmatamentos, orientar sistemas de navegação e viabilizar serviços de comunicação. Uma colisão com detritos espaciais pode comprometer esses equipamentos e gerar novos fragmentos, aumentando os riscos para outras missões.
“Para o Brasil, a adesão à Carta Zero Debris representa o compromisso de desenvolver seu setor espacial de forma responsável e sustentável, conciliando o crescimento da economia espacial com a preservação do ambiente orbital. Entendemos que a sustentabilidade deve fazer parte do desenvolvimento das atividades espaciais desde o início, e não ser tratada como uma preocupação posterior”, afirma o presidente da AEB, Marco Antonio Chamon.
O que muda com o compromisso
A Carta Zero Debris estabelece objetivos para reduzir a geração de novos resíduos espaciais e diminuir os riscos associados aos objetos que já estão em órbita. Entre as medidas estão o planejamento do descarte de satélites e outros equipamentos ao final de sua vida útil, a prevenção de colisões e explosões e o aperfeiçoamento dos sistemas de vigilância e rastreamento.
Na prática, isso significa considerar o destino de um equipamento antes mesmo de seu lançamento. Um satélite que encerra sua missão, por exemplo, não deve simplesmente permanecer indefinidamente em uma órbita utilizada por outros equipamentos. Dependendo de suas características e da altitude, podem ser adotadas estratégias para sua retirada da região operacional ou para sua reentrada controlada na atmosfera.
A iniciativa também prevê o aprimoramento da coordenação do tráfego espacial. Com o aumento da quantidade de satélites lançados, conhecer a localização e a trajetória dos objetos em órbita é importante para avaliar riscos e planejar manobras que evitem possíveis colisões.
Outro objetivo é reduzir os riscos para pessoas em solo, considerando que determinados componentes de objetos espaciais podem resistir à passagem pela atmosfera durante a reentrada.
Participação brasileira
Além da AEB, as empresas brasileiras Visiona Espacial e Safe on Orbit também aderiram à Carta Zero Debris. A participação de organizações públicas e privadas integra a proposta internacional de envolver diferentes agentes do setor na adoção de práticas mais sustentáveis.
A adesão brasileira ocorre em um contexto de ampliação das atividades espaciais e de crescente preocupação internacional com a quantidade de objetos que permanecem em órbita após o encerramento de suas missões.
Ao participar da iniciativa, o Brasil se soma ao esforço de estabelecer práticas que permitam a continuidade das atividades espaciais sem comprometer a segurança das operações futuras. O desafio é fazer com que o espaço continue disponível para novas missões e para os serviços que dependem dele aqui na Terra.
Fonte: MCTI.





